Crucifies my enemies....

segunda-feira, dezembro 29, 2003

E com a precupação toda de dizer mal, esqueci-me de falar desta época festiva que atravessamos....
Pois bem, o Natal foi porreiro.
Pela primeira vez em muitos anos vi os meus pais satisfeitos e juntos com outras pessoas, e se eles estavam satisfeitos, também eu estava.
Depois foi a reunião com os amigos em casa de um deles.
Muito bom também, sempre com o sentimento que estava alguém menos, mas não obstante isso, foi bom compartilhar emoções alcoólicamente induzidas nessa noite.
Gostei.
Por muito que queira dizer mal, não consigo, foi bom. E o Quinta do Carmo estava excelente.
E agora vou-me dedicar ao que faço bem.
Impugnar.
O fim de ano aproxima-se, a sensação nostálgica de anos passados aprofunda-se.
A resposta de outro dia foi negativa, mas mesmo assim, e por variadíssimas condicionantes, não creio em nenhuma palavra proferida.
Gato escaldado de água fria tem medo.
Só tenho pena de não termos conhecimento bastante acerca do funcionamento do nosso cérebro, para podermos, através de alguma técnica altamente evoluída, eliminarmos aquele sentimento de posse.
Que infelizmente me atormenta ainda.
Vai fazer um ano dentro em breve, e não há meio de as coisas darem uma volta!
Para um lado ou para o outro, diga-se.
Numa saída à noite, das variadíssimas que acontecem, disseram-me que, quem sabe, as oportunidades poderão estar mesmo à minha frente, só não as vejo porque tenho um problema em me entregar.
AH POIS TENHO!
Passei 10 anos da minha vida entregue, vários erros cometi, é certo, mas era novo e era a primeira vez que tal sucedia.
Não me estou a lamentar, são factos.
Mas após tudo isso, uma pessoa fica um pouco desiludida com a vida, e principalmente com outras pessoas.
Mas é assim a vida, como diria alguém, não é com os malucos que me devo preocupar, esses já se espera que o sejam, são os certinhos que me preocupam, nunca se sabe o que dalí poderá surgir.
E foi basicamente o que aconteceu.
Mas falando de outras coisas.
Isto aqui é uma real balda. Tou sozinho num gabinete de 6 pessoas, não adianta estar a tomar decisões, pois quem dá despacho às mesmas está de férias, estou a ouvir uma merda de rádio, pois a rádio onde trabalha o meu amigo não se consegue apanhar aqui. E a escrever este monte de patacoadas, enquanto estou à espera de uma testemunha que não aparece (tás bem lixado tás...), a pedir elementos a um amigo meu pelo telefone para o safar, ou pelo menos tentar safar, nem que seja atrasando o prazo.
Enfim.

terça-feira, dezembro 23, 2003

Hoje sinto-me como há já algum tempo não me sentia.
Mal.
Não sei porquê.
Se calhar não deveria fazer a pergunta que irei fazer.
Sinto que não quero saber a resposta, ou que me irá magoar.
Mas depois penso que não posso ficar na ignorância para todo o sempre.
Ou saber mais tarde e doer ainda mais.
Estas coisas resolvem-se como o tirar um penso rápido, têm que ser feitas de repente para doer, não há disso dúvida, mas doer menos do que tirar lentamente.
E sinto-me mal porque de certeza que irei ser enganado novamente, não vai haver coragem para dizer o que deve ser dito, para tomar a atitude correcta.
Para finalmente alcançar a tão almejada liberdade.
Como é óbvio o texto anterior é susceptível de interpretação, eu tenho a minha. Cada um que faça a sua.
Se para isso tiver paciência.
Sun Tzu disse:

Levantar um fio de cabelo não é sinal de força, ver o Sol e a Lua não significa ter boa vista, ouvir o barulho do relâmpago não é sinal de ter bom ouvido.
O que os antigos chamam um lutador inteligente é aquele que não só ganha, mas brilha em ganhar facilmente.
Daí que as suas vitórias não lhe tragam nem reputação pela sabedoria, nem crédito pela coragem.
Ele ganha as batalhas por não cometer erros.
O não errar é o que estabelece a certeza da vitória, por isso significa conquistar um inimigo que se encontra já derrotado.
Desta forma, o hábil lutador põe-se numa posição que torna a derrota impossível, e não perde a oportunidade certa para derrotar o inimigo.
Assim que na guerra o estratega vitorioso proculha a batalha unicamente depois de assegurar a vitória, ao passo que aqueles destinados à derrota procuram primeiro combater e depois sim a vitória.
O líder consumado cultiva a lei moral, e adere fielmente ao método e à disciplina, por essa razão, está em seu poder o controle do sucesso.

NÃO TENHO FILHOS e tremo só de pensar. Os exemplos que vejo em volta não
aconselham temeridades. Hordas de amigos constituem as respectivas
proles e, apesar da benesse, não levam vidas descansadas. Pelo
contrário: estão invariavelmente mergulhados numa angústia e numa
ansiedade de contornos particularmente patológicos. Percebo porquê. Há
cem ou duzentos anos, a vida dependia do berço, da posição social e da
fortuna familiar. Hoje, não. A criança nasce não numa família mas numa
pista de atletismo com as barreiras da praxe: jardim-escola aos três,
natação aos quatro, lições de piano aos cinco, escola aos seis. E um
exército de professores, explicadores, educadores e psicólogos, como se
a criança fosse um potro de competição. Eis a ideologia criminosa que se
instalou definitivamente nas sociedades modernas: a vida não é para ser
vivida - mas construída com sucessos pessoais e profissionais, uns atrás
dos outros, em progressão geométrica para o infinito. É preciso o
emprego de sonho, a casa de sonho, o maridinho de sonho, os amigos de
sonho, as férias de sonho, os restaurantes de sonho, as quecas de sonho.
Não admira que, até 2020, um terço da população mundial estará a mamar
forte no Prozac. É a velha história da cenoura e do burro: quanto mais
temos, mais queremos. Quanto mais queremos, mais desesperamos. A
meritocracia gera uma insatisfação insaciável que acabará por arrasar o
mais leve traço de humanidade. O que não deixa de ser uma lástima. Se as
pessoas voltassem a ler os clássicos, sobretudo Montaigne, saberiam que
o fim último da vida não é a excelência. Mas a felicidade.

Obrigado pela contribuição

segunda-feira, dezembro 22, 2003

Ontem vi uma notícia na SIC, daquelas que as pessoas detestam ver, pois têm como único intuito o explorar de emoções.
Mas sendo assim, senti-me explorado, sortudo, feliz, sem problema de espécie alguma e acima de tudo egoísta.
Passo a explicar, a noticia versava sobre um agregado familiar de 9 (nove) pessoas, 6 das quais, crianças menores. Sem qualquer problema, apenas a tristeza de não poder nada mais dar, falavam das suas dificuldades económicas, nomeadamente, no esforço que iriam fazer para adquirir um pouco de polvo para a ceia de natal, pois o bacalhau era oferecido. Meus amigos, um pouco de polvo é considerado bem de luxo! Daí imaginem o resto.
Mas o que realmente me tocou, contrapondo com as outras crianças que apareceram na peça (pai eu quero uma X-Box, eu quero uma Barbie etc etc) com as quais me identifico, foi a acomodação a uma situação má por parte dos menores. Quando lhes perguntaram o que queriam, ou diziam que não tinham pensado nisso, ou que apenas uma boneca, que já sabiam de antemão que não iriam ter. Para diversão na noite de Natal, o brincar uns com os outros e ver televisão seriam as actividades favoritas.
Um simples saco com chocolates natalícios foi a melhor, repito, a melhor prenda que lhes tinham dado.
Mas nem uma lágrima se vi naqueles rostos, apenas sorrisos.
E isso fez-me "falar" pelos olhos.
E fez-me ver que não tenho problemas, nem preocupações, nem chatices.
Uma pessoa só se apercebe da sua própria felicidade, quando vê as desgraças dos outros.
Mas não nos toca à porta, por enquanto.
Um feliz Natal para todos, e lembrando um cartoon, em que aparece um sapo na boca de um pelicano, estando o primeiro com a cabeça dentro da boca do segundo mas com as patas agarradas ao pescoço deste, Nunca Desistas, Luta Sempre!

sexta-feira, dezembro 19, 2003

Pois é meus caros, está decidido, vou para Castelo Branco.
Aproveitar sair deste espaço cada vez mais limitado denominado Lisboa e arredores.
A ver vamos como corre.
De resto, aproxima-se o Natal, esse dia horrível em que é impossível encontrar um café aberto em qualquer lado, onde pessoas que não se falam, fazem o sacrifício por esse dia, voltando tudo à mesma no dia seguinte.
O que vale é que onde moro há um Anti-Cristo, aberto todos os dias.
Olho para o negócio é o que é.
E hoje vai ser o início de mais um fim de semana duro.
Pelo menos promete, hoje há janta e consequente intoxicação alcoólica, mais que provavelmente.
O costume, por assim dizer.

terça-feira, dezembro 16, 2003

E por falar em felicidade. Felicidade é ser
Felicidade é estar
Felicidade é amar
Felicidade é tocar alguém, e sentir e amar e beijar e cheirar e “rasgar” esse alguém até dois serem um
Felicidade é estar só
Felicidade é ouvir o silêncio
Felicidade é perceber o vazio e conseguir tocá-lo
Felicidade é olhar
Felicidade é falar com os olhos
Felicidade é chorar
Felicidade é transmitir no exterior o nosso interior
Felicidade é nascer e não entender a morte
Felicidade é acreditar nos outros apesar de estar só
Felicidade é lutar pela nossa identidade qualquer que ela seja e mostrar aos outros a nossa verdade
Felicidade é lutar pela vida quando a morte nos come partes do corpo
Felicidade é entender que a Terra é um ponto no Universo e nós pensamos
Felicidade é gostar de ser imperfeito num Mundo onde somos mortais
Felicidade é arrepiar-nos com a própria mão
Felicidade é deixarmo-nos levar pelas emoções dos outros
Felicidade é ouvir o Hino Nacional ou uma balada e sentir o sangue quente a correr nas veias
Felicidade é entender que a diferença entre ricos e pobres são adereços
Felicidade é alterar os conceitos
Felicidade é viver a três porque a dois é pouco
Felicidade é dormir a pensar e viver a sonhar
Felicidade é dormir no sofá e comer na cama
Felicidade é transformar a TV num aquário e o carro num banco de jardim e a gravata num guardanapo e o bidé numa floreira e pintar paredes com estrelas do céu e perceber que o nosso mundo é só nosso
Felicidade é ter prazer sem erecção
Felicidade é gritar por amor
Felicidade é chegar ao fim e morrer com alguém ao lado que nos dá a mão e nos fecha as pálpebras com a mesma mão que nos dá calor
Felicidade é tanta coisa e tanta gente pensa que é impossível
Boa Tarde!

Hoje tive uma experiência interessante e, mais do que isso enriquecedora.
Fui almoçar com colegas de trabalho, todas mulheres, das mais variadíssimas idades, todas casadas.
Aquele tipo de grupo de colegas de trabalho em que tive a sorte de me ver incluído, pois quem não interessa, simplesmente, não estava lá.
Mas o melhor foi ver o crescimento, que tanto anseio obter de uma mulher, ali exposto.
Eu explico.
Passei muito tempo a pensar que com a idade as pessoas cresciam.
Mentira total.
Pois uma pessoa, fisicamente, cresce, aparte de qualquer problema, dentro dos moldes normais, intelectualmente o caso muda de figura.
Mas ali estava este grupo tão disperso na questão etária, mas bastante coeso na questão intelectual, e falamos de pessoas desde os 25 a 40 e muitos.
Tudo com vida própria, com problemas próprios, mas a pensarem sempre num objectivo uno, a felicidade.
Foi interessante por esse aspecto, enriquecedor porque gostava de encontrar alguém que partilhasse comigo a mesma alegria de viver que presenciei, e que os respectivos esposos devem sentir.
Mais do que isso, foi mais uma oportunidade de fazer a minha "check-list" de prioridades.
E está feita.
Só falta leva-la ao supermercado.

segunda-feira, dezembro 15, 2003

E para quem quiser duas justificações:

Uma garrafa sem carica, não está, necessariamente, vazia, está aberta;

E de boas intenções está o inferno repleto.

Para quem teima em ter atitudes esquálidas, e para quem teima nelas cair.
"Os fins justificam os meios" .

Maquiavel , ao dizer essa frase, provavelmente não fazia ideia de quanta polémica ela causaria. Ao dizer isso, Maquiavel não quis dizer que qualquer atitude é justificada dependendo do seu objetivo. Seria totalmente absurdo. O que Maquiavel quis dizer foi que os fins determinam os meios. É de acordo com o seu objetivo que uma pessoa vai traçar os seus planos de como atingi-los.
Boas tardes.

Farto de transcrições por hoje. Já tive de ouvir duas pessoas in loco (para aqueles fluentes em Latim, não preciso explicar, para os outros significa, no local), coisa que me agrada mas que, ao mesmo tempo, me traz grandes dilemas morais. Dilemas de quem tem de tomar decisões conscientes e realistas acerca do dia a dia de pessoas, que muitas das vezes o que fizeram, foi por falta de informação ou por necessidade.
Mas é um trabalho como todos os outros.
Por falar no vocábulo latino, falo de outro, bastante comum entre círculos literários de poesia romântica, no sentido verdadeiro do termo,e admiradores do Clube dos Poetas Mortos, o Carpe Diem.
Analisando a frase, e sem apresentar ainda o seu verdadeiro sentido, Carpe significa, entre muitas outras coisas, lamentar, daí advém a nossa palavra carpir, e diem, os dias, sem mais interpretações.
Logo, Carpe diem, em interpretação lato sensu, significa, lamenta os dias.
Muito menos romântico, agora em termos actuais, que agarra os dias, falando no plano amoroso.
Mas é possível que tenha sido esta a intenção de quem a utilizou em primeira instância, em interpretação stricto sensu, significa vive o dia a dia, pois um lamento é também um anseio por algo melhor, logo há que agarrar as oportunidades assim que surjam.
No plano amoroso, é o perfeito vocábulo para tentar convencer alguém a agarrar uma oportunidade assim que ela surja, por mais inteligente que seja uma pessoa, homem, ou mulher, não poderá deixar de se sentir tocado/a com a sensação de perda que a palavra provoca se não for seguida à  risca.
Mas também, e após mais aprofundada análise, é capaz de ser verdade que deixar escapar um dia, poderá significar agarrar toda uma vida.
Escolhas.
A vida realmente vive-se dia a dia, realção a relação, pensamento a pensamento, mas há sempre aqueles que perduram, que se passam semanas, meses, anos, e não são eliminados do nosso cognos. Por isso, acho que agarrar a oportunidade ou viver o dia ou outros tantos significados da expressão Carpe Diem, poderá simplesmente querer significar o querer agarrar aquele pensamento, aquela ideia, aquela paixão. Mesmo que o físico não esteja já presente nas nossas vidas, mas a simples ideia nos faz avançar para algo melhor.
Para terminar;

Verba vollant, scripta mallent
As palavras voam e os escritos permanecem.

Ou seja, a primordial razão deste blog.


De Rodrigo Moita de Deus.

Com vinte anos, todas as mulheres são bonitas e cobiçadas. Os vinte são por isso a idade de todas as experiências e de todas as realidades. Aos vinte conhecem-se os namorados sérios, têm-se as primeiras relações onde se discute no carro de quem é que se vai viajar ou quem é que cozinha quando estão sozinhos em casa.
Com a idade de toda a vida surge também um dos grandes paradigmas das relações amorosas. Um mistério para quem quer que pense sobre o assunto. Um homem quando tem vinte anos prefere sempre mulheres com quarenta. Quando ele próprio chega aos quarenta começa a preferir mulheres com vinte. Estranho, não é?
Depois de tanto tempo a amadurecer, o ideal de homem desejado, o sonho do príncipe encantado, é confrontado com a realidade nua e crua dos homens que vão passando.
A partir dos vinte anos é fácil acreditar que o próximo namorado será finalmente o seu prometido. Desta vez, em cada desgosto de amor a fantasia vai morrendo. «Talvez não exista nenhum príncipe encantado», «Talvez tenha que fazer o melhor possível com aquilo que se tem».
E depois não podemos esquecer que tudo na vida tem o seu timing próprio e o relógio biológico de uma mulher não perdoa. Este relógio biológico tem a eficiência de um cronómetro de fabrico suíco e normalmente marca a hora certa para se encontrar o príncipe encantado. E se não for o príncipe, alguém parecido.
Por um Natal sem jantares!


Entrámos no mês de Dezembro e aproximamo-nos vertiginosamente do momento mais doloroso do ano para todos os que trabalham em empresas: o jantar de Natal.

Não há pior seca que desperdiçar aquelas horas da nossa existência no mais complexo exercício de cinismo a que tal função nos obriga. Há mesmo caso de relatos de trabalhadores que entram em delirum tremens na véspera do famigerado jantar e até de outros que optaram por se atirar da janela para o precipício ao soarem as badaladas das oito.

O que é difícil de saber é aquilo que mais nos agonia. Se o sorriso idiota do chefe que ainda ontem nos deu uma rabecada só por a gente se ter atrasado a conferir as facturas do mês e que agora nos passa a mão pelo pêlo. Se o cheiro do sovaco da dona Guilhermina que nos calhou em sorte, ao lado, na mesa. Se o discurso baboco do patrão, com aquelas tretas nojentas que somos todos uma grande família quando se está mesmo a ver nos olhos do gajo que o tipo se prepara para cortar a cabeça a metade da malta que ali está.

Também faz parte desta infeliz tradição misturar o maralhal todo para fingir que até somos todos iguais e que lá isso de uns ganharem dez vezes mais que os outros não tem importância nenhuma, pois o que importa é que estejam todos a contribuir para o bem comum, ou seja, para a felicidade dos tipos lá de cima, que com a distribuição dos lucros da firma sempre podem sacar umas gajas boas para dar umas voltinhas sem terem de se sujeitar ao refugo de bares de segunda ou umas viagens a Bragança.

É assim perfeitamente normal que fiquemos entalados na mesa entre o electricista da manutenção, que arrota entre cada pastel de bacalhau que abocanha, e a dona Aurora da secção de pessoal, mulher portadora de uma grande rodagem de estrada, mas que a idade fez encostar às boxes, e que se vai roçando languidamente pelas nossas pernas acima à medida que vai emborcando copos de branco.

É então que se coloca ! o proble ma de saber o que se há-de dizer àqueles seis ou sete marmanjos com quem repartimos a mesa. Contar anedotas porcas pode ser perigoso, porque nunca sabemos se o administrador que para ali está a fingir que é igual a nós não será maricas e nos limpa o sebo logo no dia a seguir. Falar de gajas e futebol equivale a sermos fulminados pelo mulherio que nos fica de trombas para o ano todo. De trabalho, nem pensar, porque isso fazia logo com que cada um começasse a puxar pelos galões e lá se ia por água abaixo a fraternidade. A única saída é mesmo a de ficar calado, com um sorriso idiota nos lábios, dizendo para o da esquerda que a sopa está melhor do que a do ano passado e para o da direita que o bacalhau está uma delícia.

A melhor safa destas coisas é mesmo arranjar-mos maneira de ficar ao lado da estagiária que entrou o mês passado, gastarmos o jantar nos preliminares do paleio e partirmos a seguir para uma visita às iluminações de Natal. Com um bocado de sorte, recebemos logo naquela noite um presente caído do céu.

Manuel Ribeiro
In "Notícias Magazine" de 07.DEZ.2003

quinta-feira, dezembro 11, 2003

Sabe-se que a burrice é um charme. A ostentação da própria estupidez é uma bijuteria que os candidatos a charmosos ostentam em público para conquistar admiração e notoriedade. Um caso que tornou-se clássico desse comportamento foi um cantor pimba (nem sei quem foi; são todos iguais mesmo...) que, numa entrevista, mandou a seguinte patacoada:

Reporter: Você gosta de ler?
Pimba: Sim, eu devoro livros.
Repórter: Qual foi o último livro que leu?
Pimba: Eu li aquele... Bestseller.
Repórter: Mas, qual best seller?
Pimba: O próprio. Chama-se Bestseller.

O sintomático é que o próprio pimba contou este caso, achando muito engraçado o facto de o repórter ter, involuntariamente, desmascarado sua burrice. O pimba, se num primeiro momento envergonhou-se da sua falta de cultura ao ponto de mentir que gostava de ler, logo orgulhava-se da sua burrice e ainda ilustrava sua estupidez contando esta tentativa frustrada de mostrar-se culto. Passou a ostentar em público sua asneira como se fosse um troféu. Ser burro é um requinte.

Sabe-se também que cantores pimba são paradigmas sujeitos bem sucedidos na vida. É um caminho natural concluir que sua áurea de estupidez está diretamente relacionada ao sucesso. O caminho da fama estaria mais próximo das pessoas de poucas luzes. Quanto menos culto, melhor.

Contudo, ironicamente, o facto é que muitas pessoas ainda acham que o charmoso é ser inteligente. O problema era que, para ser inteligente, era necessário dedicar a vida inteira aos estudos. Fazendo isso, não sobraria tempo para exibir-se em sociedade e conquistar a fama - equivocada, lembrem-se - de charmoso.

Mas a necessidade vira-nos do avesso, se preciso. Sistematizaram-se alguns procedimentos para que o estúpido parecesse bastante inteligente, com menos riscos de cometer gafes como a do pimba citado. Um procedimento bastante usado é o seguinte:

Numa conversa, para conferir autoridade a qualquer baboseira que diga, cite um filósofo qualquer e afirme que a frase é dele. Isso pode ser feito, de forma preventiva, no começo da frase. Se você tem a opinião que, por exemplo, ninguém é de ninguém, pode começar assim:

- "Segundo Kierkegaard, em seu estudo sobre os aspectos coercitivos das relações humanas, ninguém é de ninguém, etc, etc.

Quando a conversa é travada com alguém razoavelmente culto, o ideal é inventar o nome e dizer que ele foi um importante filósofo do século XVII.

- Segundo Thomas Friedkin Flanger, o famoso filósofo do século XVII... já leu alguma coisa dele?

- Já ouvi falar.

- Ele é muito bom. Segundo Flanger, em seu estudo sobre os aspectos coercitivos das relações humanas, ninguém é de ninguém, etc, etc...

Dificilmente a pessoa vai querer se aprofundar e inquirir sobre o pretenso filósofo, pois estará sentindo-se inferior irá envergonhar-se de admitir que nunca ouviu falar do ilustre pensador do século XVII, Thomas Friedkin Flanger.

O pressuposto desse comportamento é que o ouvinte também é um estúpido que acredita que a inteligência é um charme. Se quiserem massacrá-lo, basta prosseguir com várias citações de outros filósofos que nunca existiram. Mas convém diversificar as referências, e citar também pequenos trechos de Dostoiévski, Sartre, Herman Hesse ou qualquer escritor de qualquer época. Não é necessário ter lido nenhum e o trecho pode ser inventado. O importante é a pose de autoridade que a referência suscita no interlocutor.

- Dostoiévski também tem um longo ensaio explicando os subterrâneos da mente conturbada do seu personagem que defendia a idéia de que ninguém é de ninguém, etc, etc.

Outra recomendação é nunca concordar com tudo o que seu interlocutor diz. Isso o fará pensar que tu estás atento e possuis espírito crítico. Mesmo se ambos tiverem certeza absoluta que determinada afirmação é correcta, na terceira negativa brotará a semente da insegurança e a certeza do teu interlocutor estará abalada, seja lá qual assunto estiver em discussão. Isso torna-se um trunfo precioso, pois se o candidato a charmoso oferecer o benefício da dúvida ao interlocutor, este irá sentir-se grato e vê-se obrigado a confirmar, por delicadeza, qualquer estupidez que o charmoso vier a dizer. E isso, feito em público, acredita-se, confere tremendo charme ao candidato. Por isso, no final da frase anterior já o alcunhamos de "charmoso", e não "candidato a charmoso". Não se deve esquecer, contudo, que também nas negativas é importante ter um nome de peso para conferir autoridade nas afirmações.

- Segundo Klaus Jefferson Smegman, etc, etc...

Ps. Porém, como já foi explicitado, todas esses procedimentos são desaconselháveis para quem quer ser charmoso, pois está provado que o charme está na burrice.

Hoje mandei às urtigas todo o paleio que a natureza e educação me conferiram. Se é que o tenho, pode ser impressão minha.
Para dizer que tou farto desta merda, não consigo resolver a puta da minha vida, foda-se!
A culpa é INTEIRAMENTE minha.
Tenho consciência disso mas não consigo largar, ou não conseguia, porque desde a semana passada que eu acordei. De tantas vezes que levei estalos aquele foi o maior.
Depois a inocência que para si reclama!
Como se pode ser tão falsa, mentirosa. E mais do que isso como se pode acusar outra pessoa de fazer isso?
Não te imaginava assim, tal como eu fui uma desilusão para ti por não corresponder a um pseudo ideal que criaste de mim, muito por minha culpa, o mesmo sucedeu agora.
E acerca deste assunto não haverá mais inscrições neste singelo Blog.
Já te fiz ver o ridículo da tua situação.
Tenho dito.
Nunca pensei com tão singelas palavras aqui apresentadas que fosse provocar alguma reacção tão má como a que provoquei!
Mas isso tem resolução.
TOU-ME CAGANDO.
DE MENTIROSOS TOU EU FARTO.

quarta-feira, dezembro 10, 2003

Ver-te
Queima-me os olhos
Tocar-te
Queima-me a pele
Torturaste-me e deixaste-me a morrer
Mas, vontade de ferro
Não irei ceder.

A angústia cresce
A vida, morre.
Uma força interior
Alimenta os meus lamentos
Esperança foi estilhaçada
Nasço outra vez
Vontade de viver
Necessito vencer.

Até amanhã. (e este é cá dos meus, fraco, mas cá dos meus)


Este ainda mais espectacular está!

Descoberto único português que ainda vê o Big Brother

Após estudo exaustivo levado a cabo pela empresa responsável por avaliar a relação entre as aparições televisivas de Toy e o aumento do número de pessoas atingidas por aparelhos de televisão na cabeça enquanto andavam na via pública, a TVI descobriu o único português que ainda vê o Big Brother com regularidade.

Trata-se de Arménio Palanca, 47 anos, solteiro e responsável pela manutenção do farol de Valadares de Carrapito, concelho do Sabugal (o único farol no interior do país) há mais de duas décadas. “Vivo aqui sozinho há anos. Passo semanas sem ver ninguém. A minha única companhia é a televisão,” relata. Mas mesmo a companhia da televisão não está livre de limitações. O pequeno televisor portátil de Arménio apenas capta a TVI devido à localização remota e à elevada concentração de matéria fecal suína no subsolo da região que favorece a captação do quarto canal.

Recorde-se que as várias encarnações do Big Brother estiveram sempre entre os programas mais vistos na televisão nacional e a original foi responsável por um verdadeiro surto epidémico de reality-shows desde o “Bar da TV” à “Academia de Estrelas,” passando pelo pouco conhecido “Corpo Presente,” programa da TV Medicina em que, todas as semanas, o público votava num órgão de Cristina Caras Lindas para ser expulso. A última série, a quarta, está muito longe da popularidade de outros tempos e o programa consegue ser menos visto do que o magazine quinzenal da Igreja Ortodoxa Ucraniana na RTP 2.

Para Jaime Roldão, professor de Coprologia Aplicada no Instituto Politécnico Ambulante de Carcavelos, a explicação é simples. “O cérebro humano só consegue absorver quantidades tão concentradas de estupidez como as que são produzidas em programas como o Big Brother durante um período de tempo definido antes de ficar saturado,” considera.

A situação preocupa, obviamente, a TVI que já estudou um conjunto de medidas com o objectivo de tornar o programa mais apelativo. Assim, em breve, a porca que tem sido o animal de estimação dos concorrentes será substituída por uma dúzia de escorpiões africanos particularmente venenosos, os concorrentes passarão a vestir apenas tangas de cabedal preto e todas as provas a realizar envolverão troca de fluidos. Se nenhuma destas medidas funcionar, a produção admite convidar José Castelo Branco para uma participação especial vestido de Tatiana Romanov.